quarta-feira, 30 de julho de 2008

Radiohead

Tenho ficado com músicas do Radiohead na cabeça, a semana toda.

Para quem curte, segue uma das melhores deles aí (não conhecia esse negócio de mp3tube, descobri hoje... recomendo também...)

Radiohead - Creep

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Discurso do Nizan

Na TV onde trabalho, há um tempo, tive a oportunidade de decupar uma entrevista longa com o Nizan Guanaes.

Para quem não conhece, o Nizan é um dos maiores publicitários brasileiros. Dentre os comerciais que criou, está um famoso, para a Folha de São Paulo, vencedor do Leão de Ouro, em Cannes, e eleito um dos 100 melhores comerciais do mundo.



Não sei dizer muita coisa sobre o Nizan, como pessoa. A figura dele é cercada de histórias e lendas. Tudo o que ouvimos falar a seu respeito é muito bom ou muito ruim.

O que eu posso dizer é que decupar aquela uma hora de entrevista, conhecer sua trajetória, sua história, foi uma experiência enriquecedora, principalmente para alguém que acabou de se formar e está começando a trabalhar.

Na entrevista, o Nizan cita um discurso de formatura que ele fez, uma vez, e que se espalhou pela internet.

Recomendo a qualquer um que perca cinco minutos para ler.


SUCESSO.

Discurso de formatura do publicitário Nizan Guanaes.

"Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, sou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns. Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.

Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma.

A propósito disso, lembro-me uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo." E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna. Meu segundo conselho: pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega viver como homens.
Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassu. Que era ficção, mas hoje é realidade, na pessoa de Geraldo Bulhões, Denilma e Rosângela, sua concubina. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito.

É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: 'eu não disse!', 'eu sabia!'

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa. Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansear, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar. Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio - que é a morada do demônio - e constrói prodígios.

O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses, que trabalham de sol a sol, construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta.Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.

Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas.

Mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço. E só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão.
E isso se chama sucesso."

quinta-feira, 17 de julho de 2008

terça-feira, 15 de julho de 2008

O Surgimento de uma Idéia.

É difícil saber de onde vêm as idéias. Muitas delas surgem depois de um grande esforço e acredito que a maioria delas seja resultado de trabalho duro, e não de uma simples inspiração.

Mas mesmo assim, existem aquelas aparecem quase do nada, no momento mais inesperado, ou menos propício.

Ontem mesmo, cheguei em casa, acabado de tanto trabalhar. A impressão que tinha era que meu cérebro não conseguiria realizar mais uma sinapse sequer, pelo resto da noite.
Ainda assim, eu teria apenas trinta minutos até que uma amiga minha - fotógrafa profissional - chegasse para discutirmos, por algumas horas, o projeto de um curta-metragem que vamos produzir.

Além desse projeto, tenho o roteiro de um longa que estou escrevendo, uma cena em animação 3D que estou fazendo para o TCC de amigos meus (com enorme satisfação), um projeto de animação para emplacar na TV onde trabalho e, se sobrar algum tempo, os estudos sobre cinema, que estou aprofundando.
Fora tudo isso, tenho idéias bem definidas para pelo menos outros dois roteiros de longa, que estão na fila, esperando para serem tocados.

No meio dessa lotação de coisas que invento para fazer, resolvi aproveitar a meia hora que tinha para descansar. Deitei em minha cama, jurando que só levantaria quando a campainha tocasse, e fiz a melhor coisa que uma boa idéia pode pedir a alguém, antes de aparecer. Relaxei.

Achando que iria descansar, relaxei, e então tive uma surpresa. Lembrando de um vídeo que vi na internet, de balões d’água estourando, tive uma idéia que me fez acordar na hora.

Quem gosta de escrever, criar histórias, sabe o quanto uma idéia pode mexer com a gente. Continuei deitado, mas era como se estivesse de pé, andando de um lado para o outro, no quarto. Minha cabeça ficou agitada e comecei a matutar a respeito, me aprofundando naquele lampejo inicial.

Tratava-se de algo inusitado, pelo menos para mim. Um longa de animação. A idéia, gosto de pensar, é bastante original. Não lembro de ter visto nada muito parecido com o que visualizei.

Depois de pensar mais um pouco, levantei e corri para o computador: “preciso registrar”.

Sentei e comecei a escrever a primeira cena.

Ela resumia tudo. Todo o universo da história, explicado em poucos segundos, com o apoio de um narrador em off. Escrevi somente a narração, como me veio à cabeça (algo que certamente revisarei, depois), pois ela me fazia remeter a todas as imagens que imagino para as primeiras sequências.

Enquanto escrevia, no entanto, pude pensar em algumas outras cenas, planos, momentos da história, e quando terminei, já tinha em mente o final do filme.
Se não me engano, foi Edgard Allan Poe quem escreveu que a melhor forma de construir qualquer composição é sabendo qual será o final, onde você quer chegar. De fato, quando temos uma idéia assim, com começo meio e fim (principalmente, fim), tudo fica mais fácil.

Coisas desse tipo realmente mexem com a gente.

Até ontem, tinha pelo menos 3 projetos a mais do que podia dar conta. Agora tenho quatro. O que é pior, esse roteiro não exige muita pesquisa (o que torna a tentação ainda maior, para quem anda sem tempo). Talvez algo a respeito das leis da física, mas a maior parte do universo que imaginei é meramente suposto, imaginado. Para o resto do trabalho, basta o repertório de animações que conheço.

Paro para pensar de onde surgem as idéias porque, às vezes, nossa capacidade de realização não acompanha a velocidade em que elas aparecem.

Mesmo assim, não há nada melhor do que ter uma delas, apaixonar-se, e fazer de tudo para vê-la numa tela.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Saudade...

A vida é realmente uma coisa estranha.

Uma vez falei para uma amiga minha que Deus é um ótimo roteirista.

E gosto de pensar que Ele é - que esconde o jogo da gente, não revela nada antes da hora, sabe criar um enorme suspense em nossas vidas, mas que no fim faz tudo acontecer exatamente como e quando deve acontecer.

É reconfortante pensar assim, que há alguém escrevendo a nossa história junto com a gente, programando coisas para o nosso futuro, montando um quebra-cabeças para a gente onde, uma hora ou outra, tudo vai se encaixar.

Mesmo assim, a vida, ao contrário das boas ficções (na minha opinião), não deixa de ser muito estranha.

Numa hora estamos numa cidade pequena, rodeado de pessoas com quem aprendemos a conviver tão intensamente, que não conseguimos nos imaginar sem elas. Amigos, "irmãos" de república, namorada, colegas de turma, etc. Pessoas que passam a ter uma importância enorme em nossas vidas e que, sabemos, jamais vamos esquecer.

Em seguida, a gente se vê no meio de uma cidade gigantesca - que parece querer te engolir - começando tudo de novo, do zero, esforçando-se em conhecer gente nova, fazer amizades, habituar-se ao lugar.

É estranho compartilhar boa parte da sua vida com aquelas pessoas fantásticas e, de repente, ver que elas não estão mais lá, fazendo parte do seu dia-a-dia.
Algumas, você sabe que irá rever sempre que possível. São amigos que não vão deixar de existir ou ter importância.
Mas há também aquelas que você acredita, fortemente, que nunca mais irá vê-las... E sobre algumas dessas, é realmente doloroso pensar a respeito.

Mas a vida é assim. Ela não pára, não espera. Ela dá um jeito de continuar...